Matéria Especial: Os treinos físicos mais esquisitos para pilotos

Malabarismo, escalada e aviões de controle remoto. Acredite: tudo para fortalecer a mente e o corpo. Pré-temporada. Expressão que desperta um desânimo nos pilotos do mundo inteiro. Em alguns casos, como na Fórmula Indy, isso significa passar seis meses longe das pistas e perto da academia.

Quem relaxa, acaba pagando caro quando as corridas começam. Nessa profissão, força física e capacidade mental nunca, nunca mesmo, podem estar em baixa.

Mas é claro que nenhum santo aguenta passar todos os dias no esquema “esteira, bicicleta, pesos”.

Por isso, a gente foi atrás de oito treinamentos muito esquisitos adotados pelos pilotos nesse período, para fugir da rotina da academia sem descuidar da preparação. Respire fundo, dê um longo gole d’água e bora malhar.

1) Squash: O bon vivant James Hunt, campeão mundial de Fórmula 1 em 1976, era um adepto desse esporte. “Durante os anos mais difíceis da minha carreira, era a única forma de relaxar”, disse em entrevista ao biógrafo Gerald Donaldson. Bem, sabemos que não era a única, mas de qualquer forma o squash ajudava Hunt a extrair o máximo dele mesmo, esfriando a cabeça enquanto fortalecia as pernas, os braços e os reflexos.

2) Malabarismo: É sério. Jogar bolinhas para o alto está entre as atividades de preparação de alguns pilotos. Campeão mundial de Fórmula 1 em 2016, Nico Rosberg mantinha os reflexos em dia fazendo malabarismo. Às vezes, ainda pedalava um monociclo no meio da atividade, pra ficar mais difícil. Max Verstappen é outro adepto dessa prática.

3) Câmaras de calor: O piloto de rali Harry Hunt se joga numa câmara de calor para simular as condições que enfrenta no Rally Dakar, onde as temperaturas passam dos 45ºC, às vezes superando 55ºC dentro do carro. “E tudo isso a 4.500 metros de altitude. O corpo humano não está preparado para esse tipo de exigência. Então, eu pedalo ou faço esteira dentro da câmara de calor, para me aclimatar e lidar melhor com a perda de líquidos e aumento da temperatura corporal”.

4) Musculação para o pescoço: Gary Paffett tinha um jeito especial de cuidar do pescoço nos tempos de piloto de testes da McLaren. “É uma parte muito sensível do corpo humano. Submeter o pescoço à forças laterais de 6Gs, mais de 13 vezes por volta, pode ser doloroso depois de um tempo. Então, eu usava um simulador especial na academia, que aplicava pesos no capacete e no volante para fortalecer a musculatura”.

5) Aviões de controle remoto: Juan Pablo Montoya reconhece que não gosta de treinar. Mas isso a gente já sabe, certo? O que chama a atenção é o que ele encontrou para substituir essas atividades. “Voar de aeromodelo começou como uma diversão, mas tem seus benefícios. Um dos meus aviões é muito difícil de controlar. Você precisa se concentrar para manter voando por 15, 20 minutos, reagindo aos problemas rapidamente. Então é um ótimo treino mental para uma corrida de 500 milhas”. Antes de você começar a rir, é bom lembrar que nessa estratégia o “gordito” já ganhou duas vezes as 500 milhas de Indianápolis.

6) Triatlo: Jenson Button, campeão mundial de Fórmula 1 em 2009, escolheu o triatlo porque ficava “facilmente entediado” nos treinamentos. No triatlo, é meio difícil isso acontecer. Enquanto a corrida e o pedal oferecem exercícios aeróbicos importantes (o coração de um piloto trabalha acima de 80% da capacidade durante um GP inteiro), a natação estimula o ganho muscular, melhora a resistência e a flexibilidade e ainda esfria a cuca, literalmente.

7) Reflexos: Gary Paffet corre pela Mercedes no DTM e encontrou na academia da marca a mesma preocupação em relação aos reflexos que via na McLaren. “Você não pode pilotar um carro se não estiver bem de reflexos. Na Mercedes, a gente faz exercícios com uma pequena bola de borracha, enquanto estamos na esteira ou na bike. Quando você já correu 5 km e está esgotado, mas sabe que terá de pegar a bola em algum momento, isso te deixa ligado. É bom. Quando for um carro batendo na sua frente, você vai saber como lidar”.

8) Escalada: Alexander Wurz, bicampeão das 24 horas de Le Mans, e Aleix Espargaró, piloto da Suzuki na MotoGP, são dois adeptos da escalada. O exercício trabalha muito a parte superior do corpo e traz inúmeros benefícios mentais. Entre eles, ganho de noção espacial e capacidade de tomar decisões rapidamente.

Sabe quem escalava frequentemente? O folclórico piloto japonês Ukyo Katayama. As escaladas faziam parte do treino dele e, desde que deixou a Fórmula 1, o cara já atingiu cinco dos sete maiores picos do mundo.