Ele também anunciou que fará um pente-fino nos 23 empréstimos já contratados, que somam cerca de R$ 26 bilhões. A ideia, segundo disse, é avaliar contratos, prazos e objetos antes de decidir o que será mantido ou reavaliado. Sobre a Ponte Salvador–Itaparica, defendeu a importância estratégica do projeto, mas afirmou que irá revisar a viabilidade econômica e dialogar com os parceiros chineses antes de qualquer decisão definitiva.
Na educação, prometeu revogar no primeiro dia a portaria que ficou conhecida como aprovação automática. Já na segurança pública, classificou a violência como o maior problema da Bahia e afirmou que o estado precisa retomar o controle do território com mais autoridade, valorização das polícias e enfrentamento direto às organizações criminosas.
Ao confirmar o ex-ministro João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (ainda sem partido) como prováveis integrantes da majoritária oposicionista, ACM Neto declarou ainda que pretende anunciar a chapa completa até o final de março.
O que mais preocupa hoje na Bahia, e as pesquisas deixam isso claro, é a segurança pública. Na sua avaliação, essa situação ainda pode ser revertida? O que, de fato, precisa ser feito para enfrentar e resolver o problema?
É claro que dá pra resolver. Eu me lembro que em 2012, quando eu fui candidato a prefeito de Salvador, todo mundo dizia que a cidade estava quebrada, que não tinha jeito, não tinha dinheiro para tapar um buraco, mudar a iluminação, coletar o lixo. E eu me elegi com o compromisso de resolver e resolvi. Eu trago esse exemplo porque muitos acham que não tem como melhorar a segurança pública. Diz que é um problema nacional, não, é um problema da Bahia, que tem cinco das dez cidades mais violentas do Brasil, que está há dez anos em primeiro lugar no número de homicídios.
A primeira coisa para resolver é o envolvimento direto do governador. É o governador chamar para si a responsabilidade, encarar o problema de frente, ter autoridade, coragem, fazer um pacto com a corporação. Eu diria que a polícia é o coração de tudo isso. Sem a polícia, a gente não consegue. E aí isso passa por valorizar a carreira, melhorar salário, melhorar condição de trabalho, dar apoio psicossocial, chegar junto das famílias, garantir inteligência e investimentos em todo o aparato de investigação e de tecnologia. Significa também ter capacidade de construir novos presídios de segurança máxima, espalhá-los pelo estado e agir com rigor no enfrentamento ao crime organizado. Não é possível que o crime tome conta do território. Isso é uma inversão completa. Quem tem que tomar conta do território é o estado, é o poder de polícia do estado. Então, tem como resolver. Agora é preciso ter vontade e coragem.
Correio – Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO
